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Cássia Eller
Arnaldo Antunes
2001
O rugido do mar. A rocha. A lambida da fera. A guitarra. O raio surdo antes do trovão. A faísca que escapa do fio.
Tudo ali no canto de Cássia Eller.
A brasa do cigarro brilhando na tragada, com a intensidade do que não dura, como a nota; sílaba.
Tudo sob controle sobre descontrole sob controle.
Sua voz parece um corpo material, de carne e osso e músculo e sexo. Um corpo opaco, massa compacta de graves e agudos soando juntos como um soco, um trago, uma onda de éter na cabeça.
Como pode isso emocionar assim?
in “Música Popular Brasileira”, de Mário Luiz Thompson, editora Bem Te Vi, São Paulo, 2001.
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