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Do livro:

Vida ou vida

Sobre o tom, o sal e as mensagens

Sentidos em todos os sentidos

O receptivo

Isso

Prefácio, por João Bandeira

A realidade também emburrece

 

Sobre o livro:

Arnaldo Antunes é um poeta que pensa por escrito

Ex-titã busca coerência em 40 Escritos

Entrevista a Ethel de Paula

O poeta roqueiro revela-se crítico de artes

 
 
 
Ex-titã busca coerência em 40 Escritos
Francesca Angiolillo - Folha de S. Paulo - 21/09/2000

Trabalhando com o poeta João Bandeira na seleção dos textos para "40 Escritos", Arnaldo Antunes sentiu-se inseguro.
"Será que a grandeza desses textos não está justamente no caráter passageiro?", questionava-se, já que a maior parte dos textos que compõem a reunião que lança hoje em São Paulo foi anteriormente publicada em jornais e revistas.
Ao mesmo tempo, essa produção _que ele classifica como "efêmera" por estimar serem cerca de 60, em 20 anos_, acumulada em uma pasta, revelou temas recorrentes.
E foi a busca por retratar uma coerência de seu pensamento que, de certo modo, norteou a seleção. Música, literatura, comportamento e artes plásticas dominam o volume, composto de artigos, prefácios e releases.
"Para além da diversidade que o livro abarca, tem algo ali que compõe um pensamento meu, muito pessoal, sobre a cultura em si e questões que me são caras. É como se cada texto que eu fizesse fosse engrossando cada vez mais esse contexto comum a eles."
Por isso não retirou nem os que julgava "ingênuos" e os organizou em ordem cronológica, do primeiro _da revista de poesia "Almanak 80", que o ex-estudante de Letras da USP editava_ até o mais recente _de 99, original de um livro sobre o artista plástico Nuno Ramos.
O que torna coeso o apanhado de duas décadas, segundo Antunes, é o cuidado com a palavra.
"Tem uma intersecção a tudo que eu acabo produzindo _música, artes plásticas, literatura_ que é o tato com a palavra em si: eu não faço música instrumental, eu faço canção; eu não faço artes plásticas, faço instalações de poesia visual."
Para amarrar o conjunto, o próprio músico se encarregou do design do volume. O interesse pelo aspecto gráfico, aliás, nasceu já com o primeiro livro, "Ou E", de 81, uma edição artesanal de 500 exemplares, com os textos em escritura manual. "Assim como a gente tem recursos de entonação com a fala, queria criar um similar de entonação gráfica."
Não por acaso, há um texto sobre caligrafia no volume e também nela se baseia a capa do livro, o que acaba reforçando o caráter memorialístico de "40 Escritos". Quem lê o livro, afinal, tem uma boa idéia de como ele pensa?
"Acho que sim. Reli o livro já impresso. É uma coisa quase autobiográfica, é engraçado, porque são só textos comentando o trabalho de outras pessoas, mas me vejo muito no livro e, de certa forma, tem uma coerência muito grande entre os textos mais antigos e os de hoje."
Apesar de admitir que vende mais livros de poesia do que outros brasileiros, Antunes diz não ter um "público-alvo" ("senão seria publicitário") e que escreve movido por sua "ansiedade".
"Tem um título que eu invejo, que (o poeta Paulo) Leminski deu para um livro de ensaios dele, 'Anseios Críticos', que eu daria para esse livro. Porque são quase ensaios; nunca tive a pretensão de ser um teórico ou um crítico. São textos críticos de alguém que se considera, antes de mais nada, um criador. Por isso quis chamar de '40 Escritos', que é um termo bem vago", conclui, rindo.
 
   
 
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