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A LETRA MÚLTIPLA DE ARNALDO ANTUNES, O PEDAGOGO DA ESTRANHEZA
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Planet Hemp
Arnaldo Antunes
01/07/2001

quem já foi em show dos caras sabe o quanto é quente assim planet hemp ali no palco em frente sim queimando tudo e o público vibrando junto em volta quem não viu ainda de repente vai ficar ciente agora nesse ao vivo possante potente então atente aqui a música motivo de celebração como também veículo de alteração da consciência entra sem pedir licença com os pés na porta da apatia invade irrompe desafia sua cabeça não escapa ilesa escute como já de cara d2 anuncia com orgulho "aí, vamos fazer barulho barulho barulho" quer dizer tocar um som pesado e alto mas também romper movimentar a cena provocar bulir controverter mexer nesse vespeiro inchado das opiniões e preconceitos crenças e convicções pra desestagnar a sensibilidade de quem ouve e pensa já que consciência é uma questão de pele sim planeta fumo sabe o rumo "eu vou falando o que eu quiser" na cara agora "nada pode me parar" o hip hop rápido não pára deixa os cães ladrando e passa como a caravana sem deixar cair a bola um só momento a carne viva exposta ao vivo o osso o nervo o músculo nervoso pede movimento a mente movimenta o pensamento fonte o fôlego é sem fim o som na lata aqui não poupa nada "a mente é arma, a voz é bala" manda uma pedrada atrás da outra colhe a polpa dos três discos readaptada pra um formato enxuto power trio guitarra bateria e baixo arranjos despojados de programação apenas rafael pedrinho e formigão mandando bem à beça pra sua cabeça pé no chão d2 e bnegão nas vozes cada vez mais ágeis e velozes sim vamos fazer barulho eu quero estar no meio do barulho aqui onde as palavras caem afiadas lâminas na base crua sem pôr guarda-chuva contra a chuva nem peneira contra o sol "que vem sem dó" cobrindo zinco e telha e o que der na telha asfalto morro e o som de sua conexão planet hemp assim fazendo efeito as sílabas dentro do crânio batucando leve nos neurônios heavy fúria e manha riffs são mensagens claras para o corpo e fluem junto ao canto em múltiplas modulações melódicas do grito ao mantra alucinante ou mesmo alucinógeno uma vez que o som é a própria substância entorpecente leva pra catarse ou transe coletivo o público cantando junto não mente o recado mente aberta e corpo solto sem pecado pra sobreviver como quiser falando de qualquer barato abertamente sempre sem vergonha ou medo como aqui maconha acaba sendo o eixo de onde desabrocha crítica política atitude estética anti-conformismo reivindicação de liberdades íntimas e sociais conquistas comportamentais direitos de cidadania e muito mais prazer vontade autonomia pra seguir viagem pra deixar a margem pra ter malandragem e dignidade significando-se mutuamente no discurso livre cravado no groove que remove as crostas da incompreensão das costas de quem canta dança e berra paz depois de um dois três e cada vez mais fundo no mergulho então vamos fazer barulho.

Release para "Planet Hemp - MTV ao vivo", Sony, julho/2001

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