Arnaldo Antunes: "Hoje em dia, temos mais opções de locais para shows"

 
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Arnaldo Antunes: "Hoje em dia, temos mais opções de locais para shows"

Revista Época: 20/09/2011

O cantor e compositor conta como surgiu o mercado de grandes apresentações no Brasil
MARIANA SHIRAI

ÉPOCA – Quando você sentiu que o Brasil começou a se tornar um destino para atrações musicais internacionais?
Arnaldo Antunes – Antes dos anos 80, tinha muito pouco show internacional no Brasil, era muito raro. Me lembro de adolescente assistir ao show do Billy Paul no Tuca (teatro da PUC-SP), isso no começo dos anos 70. Depois disso, o primeiro grande show de um artista que estava em seu auge internacionalmente e veio para o Brasil foi o do Alice Cooper. Foi uma loucura, ele fez dois shows, um mais popular, mais barato, no estacionamento do Anhembi, um espaço enorme, aberto. E era muita gente, eu me lembro de ter chegado muito cedo e mesmo assim assisti de muito longe. Era uma multidão, teve tumulto, o pessoal jogando jato d’água para dispersar um pouco aquela multidão, foi uma loucura.
ÉPOCA – Era uma carência?
Antunes – É, tinha uma carência muito grande, era um artista de sucesso, não era um artista decadente, que estava vindo para o Brasil em uma fase da carreira de baixo sucesso. Ele estava no auge, e isso era muito raro. Valeu a pena, foi uma experiência que eu lembro até hoje, eu era fã do Alice Cooper na época, foi muito legal.

ÉPOCA – E depois disso?
Antunes – Depois disso eu me lembro de ter um gap. No final dos anos 70 eu via muito show de artistas brasileiros, mas não me lembro de nenhum show relevante de artista internacional. Começou mesmo no início dos anos 80. Aí começaram a vir bandas de sucesso como The Cure, Iggy Pop, James Brown... Alguns no ginásio do Ibirapuera, uma acústica muito ruim, mas que comportava grandes multidões.

ÉPOCA – Qual foi o papel dos ginásios para os shows dessa época?
Antunes – Nessa época, os espaços predominantes eram os ginásios, ou no Maracãnazinho ou no Ibirapuera. Ou então shows ao ar livre. Mas eram ainda poucos. Acho que o Rock in Rio deu uma alavancada, foi o primeiro grande festival. Depois teve o Hollywood Rock, que também foi importante, mas acho que o Rock in Rio foi um marco no sentido de trazer grandes artistas.

ÉPOCA – Os Titãs começaram a fazer shows no fim dos anos 80 (em 1982, o primeiro disco é de 1984). Qual a diferença entre fazer shows naquela época e agora? O que mudou?
Antunes – Tem duas coisas: no início da carreira, tudo é mais precário mesmo, tudo tem um custo de produção muito mais baixo. Outra coisa é a evolução da estrutura de shows no Brasil, veio melhorando muito em termos de equipamento de som etc. No começo da carreira a gente tocava mais em barzinhos, casas pequenas. Com o estouro de “Sonífera ilha”, a gente começou a fazer shows em ginásios, que era o que mais predominava – geralmente com uma acústica muito ruim, porque eram espaços previstos para abrigar eventos de esporte.

ÉPOCA – Isso em todo Brasil?
Antunes – Tinha São Paulo, Rio e Minas, que eram o Ibirapuera, Maracanãzinho e Mineirinho, mas, fora isso, mesmo nessas cidades havia os ginásios. Em cidades do interior, o grande circuito eram os ginásios, mas era muito precário como acústica de som. Isso foi diminuindo porque foram surgindo principalmente nos anos 90 várias casas grandes de shows como o Via Funchal, no começo dos 80, como Radar Tantan, muitas casas, o Projeto SP. Espaços grandes, que comportavam uma quantidade maior de pessoas. Não só a estrutura de shows foi evoluindo, mas a gente também foi aprendendo, como experiência de carreira, a exigir coisas, trabalhar com equipamentos que pudessem comportar o som que a gente podia fazer.

ÉPOCA – A partir do momento em que o Brasil recebe um maior número de atrações internacionais, alguma coisa mudou para você como artista (público, criatividade etc.)?
Antunes – Claro que muda. É uma experiência poder ver de perto como é feito um grande espetáculo, aprender isso. A gente só via esses shows em vídeo, na época em VHS. Um pouco aprender a se fazer shows assistindo a shows internacionais. Com as melhores condições de estrutura de shows no Brasil, foi se trazendo cada vez mais novas atrações.

ÉPOCA – E como foi o segundo rock in Rio, em que o Titãs participou? Foi um dos maiores shows que você já fez?
Antunes – Não sei avaliar. A gente já fez shows muito grandes. No aniversário de São Paulo no Vale do Anhangabaú, na carreira solo, uma vez no Estádio do Pacaembu com outros artistas e tinha milhares de pessoas. Mesmo o Hollywood Rock era muito grande. Mas o Rock in Rio foi sem dúvida um desses grandes públicos. E claro que sempre um show com muita gente, para nós que estamos em cima do palco, é muito emocionante, principalmente quando as pessoas conhecem as músicas e cantam junto, e participam, e gritam, batem palma. É muito bonito de ver.

ÉPOCA – Vocês chegaram a participar dos bastidores de artistas internacionais?
Antunes – Bastidores não, porque os artistas internacionais eram sempre muito resguardados. Mas a gente assistiu a shows memoráveis, eu me lembro do show do Prince, que foi incrível.

ÉPOCA – E fora do circuito de grandes shows?
Antunes – Hoje em dia multiplicaram-se muito as opções dos espaços para show. A própria internet criou um circuito de divulgação que faz com que mesmo artistas que estão começando conseguem ter um público capaz de encher uma casa de shows e tal. Hoje em dia a gente tem mais opções, coisa que não tinha nos anos 80, 90. Eram ou casas muito pequenas ou casas muito grandes, ou eram casas de shows de artistas que faziam muito sucesso. Não tinha muita casa de médio porte, para 500 pessoas. Hoje em dia tem todo tipo de espaço. O meu show, por exemplo, eu faço em vários espaços diferentes. Desde anfiteatros de universidade, casas noturnas, ao ar livre, shows em espaços públicos. Temos uma variedade grande de lugares, estão sempre acontecendo situações novas. Faço o programa Grêmio Recreativo na MTV, que são shows, cada um gravado em casas noturnas diferentes, cada um com convidados diferentes. É uma situação nova a cada programa. Dá para experimentar outros formatos. Então eu acabo tendo várias opções de shows, mas às vezes é meio louco porque cada show é um repertório diferente, cada show uma formação diferente.
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