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Próximos eventos:

06/11>Natal / RN
Arnaldo Antunes - Participação na mesa literária da FLIN 2014 - FLIN 2014 - Parque Natural Municipal Dom Nivaldo Monte - 18:00

07/11>Viçosa / MG
ARNALDO ANTUNES - DISCO - Espaço Acadêmico Cultural Fernando Sabino - Avenida P.H.Rolfs, sn - Campus Universitário - 21:00

08/11>Belo Horizonte / MG
ARNALDO ANTUNES - DISCO - Teatro Bradesco BH - Rua da Bahia, 2244 – Lourdes - 21:00

09/11>Vespasiano / MG
ARNALDO ANTUNES - DISCO - Centro de Convenções Risoleta Neves - Rua Vereador João Telésforo Ferreira, 537 - Caieras - 21:00

13/11>Campinas / SP
Arnaldo Antunes - Performance Poética - - Praça Carlos Gomes - 19:00

15/11>Foz do Iguaçu / PR
Arnaldo Antunes - Disco - Virada Cultural Paraná 2014 (Palco Conexões) - Praça da Bíblia - Avenida República Argentina, 4013 - Conjunto Libra - 23:50

16/11>Toledo / PR
Arnaldo Antunes - Disco - Virada Cultural Paraná 2014 (Palco Conexões) - Parque Ecológico Diva Paim Barth - R. Dom Pedro II, 2911 - Centro - 19:30

21/11>São Paulo / SP
ARNALDO ANTUNES - DISCO - Theatro Net São Paulo - Rua Olimpíadas, 360 - Itaim Bibi - Shopping Vila Olímpia - 5º Piso - 21:00

23/11>Ipatinga / MG
ARNALDO ANTUNES - DISCO - Centro Cultural Usiminas - Avenida Pedro Linhares Gomes, 3900 - 21:00

06/12>Juiz de Fora / MG
ARNALDO ANTUNES - DISCO - Cultural Bar - Avenida Deusdedith Salgado, 3955 – Teixeira - 23:50

13/12>Recife / PE
Arnaldo Antunes - Disco - Festival MPB (Palco Recife) - Av. Professor Andrade Bezerra, s/n - 18:00

Sobre o tempo
Lauro Lisboa Garcia

Há tempos Arnaldo Antunes vem acalentando a ideia de fazer um show em casa para convidados. Em agosto, juntou a antiga vontade com a comemoração de seus 50 anos, montou um palco no terraço em cima de seu escritório, na ala do quintal, e registrou o show da bem-sucedida turnê de Iê Iê Iê, um dos melhores álbuns de 2009. O DVD, com direção de Andrucha Waddington, foi filmado em HD, teve patrocínio do projeto Natura Musical, e tem show de lançamento domingo no Citibank Hall.

A festa reuniu gente de diversas gerações, bem como canções que versam sobre a questão do tempo, como Envelhecer, Sou Uma Criança, Não Entendo Nada (de Erasmo Carlos, que cantou com o anfitrião), Já Fui Uma Brasa (samba de Adoniran Barbosa e Marcos César que abre o show numa roda de fundo de quintal com os Demônios da Garoa) e As Melhores Coisas, tema do filme As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, sobre adolescentes. Além de Erasmo, Jorge Ben Jor e Fernando Catatau participaram do show como convidados. Com exceção de seu contemporâneo Edgard Scandurra, a banda que acompanha Arnaldo é de músicos mais jovens (Marcelo Jeneci, Betão Aguiar, Curumin, Chico Salem). "Esse convívio entre pessoas mais velhas e mais novas tem uma riqueza bacana. Tem a ver com o fato de ser uma festa de 50 anos. É uma reflexão sobre a passagem do tempo."

Futuro. Ao cantar Envelhecer, ele a dedica a si mesmo, a propósito do aniversário, e a todos "que enfrentam e afrontam o medo de envelhecer". "Várias coisas que falo na música a gente já sente: os filhos crescendo, o cabelo caindo, amigos que morrem. Agora a música eu fiz não impulsionado pelo fato de estar vivendo uma situação de velhice, mas muito pelo desejo de enfrentar o temor da proximidade do que vai vir ainda. É uma projeção futura. Há certa curiosidade para o que será isso e certo temor. A música é feita para responder a esse temor com uma forma de enfrentamento e o desejo de manter certa inquietude. Quero coisas que me façam levantar do sofá, que mantenham a vitalidade dentro dessa perspectiva de confrontamento."

Amigos, família, artistas e outras pessoas ligadas à música - como Wanderléa, BNegão, Ortinho, Péricles Cavalcanti, o estilista Marcelo Sommer (que fez o cenário com as camisetas), Marina Lima, Paulinho Boca de Cantor, Arto Lindsay, Beto Villares - lotaram a casa na Vila Madalena para a gravação do DVD, que mistura o show com cenas da festa de 50 anos de Arnaldo. "É como se fosse a Festa de Arromba lá na jovem guarda", brinca Arnaldo. "A graça do DVD é justamente não mostrar só o show, mas as pessoas na festa."

Ele deu uma arrumada na casa e mexeu com a rotina da família e do bairro. "Nos cinco dias que antecederam a gravação, eles saíram da casa, tomada por uma equipe de 30 pessoas montando grua, estruturas, cenário. Parte do telhado foi retirada para a construção de uma passarela para a passagem da câmera, os quartos viraram cabines de vídeo e som. Os vizinhos foram avisados, os mais próximos, convidados para a festa, gerador de energia e caminhão de equipamentos ficaram estacionados na rua. O som deu pra ouvir a três quadras dali. Enfim, "a vizinhança inteira ficou sabendo".

Arnaldo sempre gostou da "coisa híbrida", desde o início da carreira, já nos primórdios dos Titãs. Então, não surpreende que hoje junte o samba de Adoniran com o samba-rock de Jorge Ben Jor (que canta suas parcerias com ele As Árvores e Cabelo), um rock novo de Erasmo (Jogo Sujo) e outro antigo de Luiz Melodia (Pra Aquietar), uma canção romântica de Odair José (Quando Você Decidir), outra de Frank Carlos (Americana, originalmente um forró) e o sambão carnavalesco Vou Festejar (Jorge Aragão, Noeci Dias e Dida), um dos achados do repertório, transformado em rock. "Desde os Titãs já tinha esse barato de curtir as coisas de ponta, o que era considerado alta sofisticação e o considerado lixo. E achar afinidades entre essas pontas." Sem saudosismo, ele criou novos hits no estilo iê-iê-iê - A Casa É Sua, Invejoso (com participação do guitarrista Fernando Catatau no DVD), Envelhecer, as baladas Meu Coração e Longe - e trouxe canções de álbuns anteriores, como Cabelo, Consumado e Essa Mulher para esse formato.

Ele se vê de novo no centro de uma efervescência musical em São Paulo, como nos anos 80, quando começou. "Há uma cena favorável, artistas e lugares onde as pessoas podem tocar e muito intercâmbio, as pessoas compõem juntas, participam uma do disco e do show da outra, como Tulipa, Tatá Aeroplano, eu participei do disco do Ortinho, do próximo do Romulo Fróes, tenho parcerias com Marcelo Jeneci. O fato de Cidadão Instigado (Ceará), Nação Zumbi (Pernambuco) e Lucas Santtana (Bahia) terem vindo morar em São Paulo já contaminou de possibilidades de parcerias, de participações. E há também um intercâmbio legal de pessoas do Rio, como Kassin, Domênico, Moreno Veloso, Jonas Sá, Davi Moraes. São artistas com quem também trabalho. É uma rede de gente muito talentosa."


O Estado de S.Paulo: 18.11.2010
 
 

Arnaldo Antunes lança DVD “Ao Vivo Lá em Casa”

O DVD, gravado na residência do artista na comemoração de seus 50 anos, é baseado no álbum “Iê Iê Iê” e no mês de novembro estará nas lojas de todo o país.

Rodeado de bons amigos, família e convidados mais que especiais, Arnaldo transformou seu próprio quintal em palco e deixou nas mãos de Andrucha Waddignton a direção do registro de toda essa festa. Do entardecer embalado pela roda de samba dos Demônios da Garoa, que abriram a celebração, até o fim da noite, Arnaldo recebeu em seu palco-lar Fernando Catatau, Jorge Benjor e Erasmo Carlos.

Ao seu lado tanto no DVD como no show, a banda formada por Edgard Scandurra e Chico Salem nas guitarras, Betão Aguiar no baixo, Curumin na bateria e Marcelo Jeneci nos teclados completa o clima familiar. No repertório estão canções como “Invejoso”, “Envelhecer”, “Meu Coração” e “Sua Menina”, do álbum “Iê Iê Iê”; “Pra Aquietar”, de Luiz Melodia e “Vou Festejar” de Jorge Aragão, Noeci Dias e Dida; além de “Americana” e “Consumado”.

No DVD, há também o registro dos dias anteriores — a montagem do cenário e dos equipamentos de filmagem (trilhos, gruas, câmeras), a transformação do terraço em palco, a preparação da festa, a passagem de som com os convidados, que trazem suas contribuições, histórias e tons para essa casa, que é toda nossa.


17.11.2010
 
 

Iê iê iê

Iê iê iê é uma palavra que não está no dicionário, mas todo mundo sabe o que significa. Música jovem de uma época, com seu repertório de timbres, trejeitos, colares, carros e cabelos, o termo traduz um estilo que parece ter ficado parado no tempo, como se fosse um nome que se dava ao rock'n roll antes dele se chamar rock'n roll. Uma espécie de proto-rock, que se desdobrou em muitos afluentes de tendências e fusões.

Citado pelos Beatles em She Loves You (yeah yeah yeah) e por Serge Gainsbourg em Chez Les Ye Ye Ye, a expressão caiu na boca dos brasileiros para nomear a música da Jovem Guarda, motivando, na época, entre as mais diversas reações, os ternos versos de Adoniran Barbosa: "Eu gosto dos meninos desse tal de iê iê iê / Porque com eles canta a voz do povo / E eu que já fui uma brasa / Se assoprar eu posso acender de novo".

A decisão de chamar esse disco de IÊ IÊ IÊ veio antes da sua feitura. Eu, que, em geral, decido os títulos só depois dos trabalhos concluídos, sabia dessa vez, desde o início, que queria fazer um disco de iê iê iê, chamado IÊ IÊ IÊ. Um pouco pelo sabor das coisas que vinha compondo, um pouco pelo desejo de voltar a uma sonoridade mais dançante, depois de dois discos (um de estúdio, QUALQUER, e outro ao vivo, também registrado em DVD, AO VIVO NO ESTÚDIO) gravados com uma formação mais leve, apenas com instrumentos de cordas (violões, guitarras, baixo) e piano (substituído no AO VIVO por teclados ou sanfona); sem bateria nem qualquer instrumento de percussão.

Um tanto por temperamento, mas também por herança tropicalista, sempre fiz discos marcados pela diversidade e pela mistura, livres da idéia de "gênero musical". Talvez por isso mesmo (pelo desafio de fazer algo diferente), quis que essa minha volta a um som de banda com bateria, tivesse uma face mais coesa.

Cheguei assim ao desejo de fazer um disco de gênero, com possíveis variações rítmicas, mas mantendo um campo de referências no que podemos chamar de iê iê iê. Não por saudosismo, mas pelo anseio de revitalizar o estilo, numa linguagem mais contemporânea e com letras que tentam incorporar novas questões e pontos de vista a ele.

As referências são muitas: Surf Music, Jovem Guarda, a primeira fase dos Beatles, trilhas dos filmes de faroeste, o twist, Rita Pavone, programas de auditório e todo um repertório da cultura pop que se traduz em canções contagiantes e de apelo direto.

Gosto da idéia de dar a um disco o nome de um gênero. Lembro do Rock'n' Roll, de John Lennon, que me marcou fortemente. Mas, ao passo em que ele abordava uma modalidade musical que continuou existindo, mudando e se atualizando, seu repertório apresentava clássicos, relidos com emoção e verdade na voz de Lennon.

Já IÊ IÊ IÊ não é um álbum de releituras, mas de canções inéditas, a maior parte delas feita recentemente (por mim, com alguns parceiros como Marisa Monte, Carlinhos Brown, Liminha, Paulo Miklos, Branco Mello, Ortinho, Betão Aguiar e Marcelo Jeneci, entre outros), dentro desse estilo, ou ao menos concebidas como algo próximo a ele, nas melodias, timbres, ritmos e vocais.

Para amarrar ainda mais o conceito, compus, com Marisa Monte e Carlinhos Brown, a faixa-título, que abre o disco apresentando um refrão que repete a expressão "iê iê iê".

Gravamos todo o disco com uma mesma banda, formada pelos músicos que já vinham me acompanhando nos trabalhos anteriores --Chico Salem (violão e guitarra), Betão Aguiar (baixo) e Marcelo Jeneci (teclados) -- somados a Edgard Scandurra na guitarra e Curumim na bateria. Todos também responsáveis pelos vocais, que têm presença marcante no disco. Para produzir, convidei Fernando Catatau, cujo trabalho na banda Cidadão Instigado tem muita afinidade com o tipo de sonoridade e timbragem que eu estava buscando. Catatau deu sugestões muito originais para o som e contribuiu inventivamente para os arranjos, além de tocar algumas guitarras e participar dos coros.

Não poderia deixar de mencionar a importância do competente Yuri Kalil, nosso engenheiro de gravação e mixagem, que também soube, em seu estúdio Totem, criar um ambiente onde nos sentíssemos inteiramente em casa. E de outros músicos que participaram especialmente em algumas faixas: Régis Damasceno, Clayton Martin, Lana Beauty e Michele Abu.

Para mim, esse disco tem ainda um gosto de retorno a algo do início de minha carreira, quando formamos os Titãs, que nos dois primeiros anos de existência tinham o nome de "Titãs do Iê Iê".

Arnaldo Antunes
maio de 2009

ps: Já tinha terminado de escrever este release quando soube que Erasmo Carlos está lançando um disco novo, chamado "Rock'n Roll" (como o de John Lennon, que eu cito no texto). Achei uma coincidência simbolicamente interessante o fato dele, que começou sua carreira nos anos 60, dentro do que chamavam de iê iê iê, lançar esse disco na mesma época em que eu, que comecei nos 80, dentro do que chamavam de rock, esteja lançando meu IÊ IÊ IÊ.






Assista aqui o vídeoclipe: "Longe"


release: 01.07.2010
 
 

Exposição: Última chance para ver Arnaldo
Redação

Termina neste fim de semana, no Paço da Liberdade, a exposição Ler Vendo, Movendo, com obras do ex-titã que propõem um jogo entre letras, formas e cores

Quem andou distraído ouvindo os sons que se espalharam pela cidade com a 28.ª Oficina de Música, encerrada na última sexta-feira (29), ainda pode conferir, até domingo, a exposição Ler Vendo, Movendo, de Arnaldo Antunes, no último andar do Paço da Liberdade.

Músico, escritor e artista plástico, Antunes propõe uma retrospectiva de suas investigações na área das artes visuais, desde 1996. Entre as obras, estão 13 quadros da série Caligrafia, de 2003, já exposta nas galerias do Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Argentina e Espanha.
Programe-se

O artista propõe novas interpretações ao criar um jogo entre as letras, formas e cores que convida o visitante à interação. O sentido literal de palavras é modificado de acordo com intervenções estéticas, criando ruídos interessantes e as transformando, finalmente, em imagens. Se­­ria sua “leitura em movimento”, outra tática em que se apoia.

Isolados, sobrepostos, funcionais ou não, os sinais de linguagem são o material de trabalho de Antunes e surgem in­­clu­­sive em um ovo iluminado que descansa sobre um totem pre­­to. Um ponto e uma vírgula estão pintados em suas extremidades opostas, criando estranheza e uma multiplicidade de sentidos.

A palavra alegria está presente várias vezes em um disco de madeira vermelho e amarelo, que lembra um alvo medieval. Interativo, ele gira de acordo com a vontade do visitante. Ora a alegria está por cima, ora vira tristeza quando está por baixo.

Polivalente, Antunes se vale de diversas técnicas para preencher as salas de exposição do quarto andar do Paço. Im­­pressões variadas – há uma espécie de “meta-foto” impressa em vidro laminado –, monotipia com tinta para carimbo, colagens, ready-mades e caligrafias diversas se alternam pelos corredores.


Gazeta do Povo/ Curitiba – PR: 05.02.2010
 
 
 
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